Agustina
Agustina escreve bem. Particularmente ao nível da construção de imagens. Mais polémica, contudo, porque deliberadamente matriarcal, ao nível da sentença, do aforismo. Aliás, se eu acreditasse nessa coisa da escrita no feminino, Agustina era uma dessas escritoras. O seu olhar é, algures bem próximo de Proust, um olhar propositadamente feminino.
Todavia, a construção da narração desgrada-me, por vezes. Em O susto (Guimarães ed., Lisboa, 1958) temos um fim marcadamente precipitado, quase de abismo. Em Adivinhas de Pedro e Inês (Guimarães & Cª ed., Lisboa, 1983) ou em Um bicho da terra (Guimarães ed., Lisboa, 1984) a narração tem uma circularidade que se torna irritante, des-construindo o texto. E a pretensa noção de biografia, que Agustina alimenta, mais não é do que um imaginário álbum de fotografias onde se vão passando em claro, de página para página, muitas outras páginas.
Etiquetas: Agustina Bessa Luís, literatura portuguesa





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