2.11.11

Outono

Apenas um rumor, no início – pássaros ou árvores, alguma abelha tardia. Que fixam a paisagem. Depois, um crescendo – canto, chama. E cinzas – como se fossem ninhos abandonados para sempre. É, esta, a altura das colheitas. De escrever o poema, como quem se despede. – «Até amanhã», diz alguém na vindima, na debulha do milho. – «Boa noite», responde alguém dentro do poema. Na terra seca, a poeira sobe, abstracta. Tão abstracta como fechar uma janela - dizer adeus.

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