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28.12.15

1. Luiza Neto Jorge



Quando é escrito:

O poeta é um animal longo / desde a infância.

a palavra poeta implica um sujeito, um demiurgo, no sentido do labor manual. Todavia, o demiurgo não é o poeta. O demiurgo, no sentido do labor manual, é, isso sim, o próprio poema, que se des-subjectiviza enquanto poema. Donde, o poema é-se no dito:

O poema é um animal longo desde a infância.

Que o poema é um animal, Pessoa disse-o. Que o poema é um animal longo desde a infância, isso situa-o num entre: entre nascer e morrer. Não o nascer e o morrer do poeta. O nascer e o morrer do poema - isto é, a sua temporalidade e, consequentemente, a sua historicidade. Ora, essa temporalidade não é a historicidade da presença do presente no sentido de Hegel e Husserl. Nem sequer, ainda para Hegel e Husserl, a consciência dessa historicidade. O poema é o ainda-não-do-já, como diz Heidegger sobre o ser.

23.12.15

Da "democracia"


Eis o revisionismo da história. Eis o revisionismo operado pela história. Como o fez Estaline, por exemplo. Aqui, neste caso, apaga-se um título académico (doutor honoris causa) que o nome (Konrad Lorenz - o etólogo) transporta. Aqui, neste caso, apaga-se o nome que um título académico transporta. E as consciências democráticas, se é que as há, ficam tranquilas, pacificadas. Ao apagarem, também, o colaboracionismo das universidades alemãs, neste caso Salzburgo, com o nazismo. Mas, este lavar de mãos é um im-possível. E esta purificação levada a cabo pela democracia, se é que a há, evoca o próprio gesto fundador do nazismo. Razão tem o dito de Marx: a história repete-se como farsa.