Mais de um terço desta antologia (Língua Morta, 2026), isto é, 200 das 615 páginas (a partir da p. 443 são tão-só textos dos antologiadores, o que dá 240 páginas com a antologia de autores que publicaram exclusivamente no primeiro quartel de 2000) são infiltradas por poetas que se afirmaram no século passado, e com livros publicados neste quartel.
A ideia é redutora, por duas razões: desses poetas não são evidenciadas, por um lado, as linhas de força da sua poesia; por outro lado, ficam rasurados poetas que só publicaram no passado século e que também deixaram ecos na poesia deste século - caso evidentíssimo de Jorge de Sena nos anos 1940 ou, nos anos 1960, Pedro Tamen, Ruy Belo, a poesia 61, em particular Gastão Cruz ou Luiza Neto Jorge, por exemplo.
Por outro lado, os breves textos sobre os poetas antologiados roçam o resumo - ou, então, falam de outra coisa qualquer, muitas vezes num tom depreciativo e/ou jocoso. Já os textos mais longos, em particular os finais, tocam por vezes a indigência - caso das pp. 488 e seguintes.
Em resumo: nem sempre querer ser inovador traz inovação alguma.
