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1.7.08

Graham, Smithson, Matta-Clark back to Cézanne

Dan Graham, Robert Smithson, Matta-Clark têm em comum 1) a escultura e 2) o espaço. Em Graham, o espaço é o espaço da paisagem (mesmo a arquitectónica) - que a inter-relação com o espectador transforma em tempo, em tempo subjectivo, o tempo de um eu.





Em Smithson, com Spiral Jetty (1970), por exemplo, o espaço é o da linha do horizonte (o horizonte como espaço cósmico) - que é substituída pela linha da escultura (daí este trabalho de Smithson só poder ter uma visão aérea), conferindo-lhe a noção de no way to.



Em Matta-Clark, o espaço é o espaço da luz, que a "a-construcção" dos objectos (casas) acentua.





Temos, assim, nestes três artistas o tema da paisagem. Ora, a matriz do tema da paisagem está em Cézanne. Para Cézanne, a paisagem é o "em si" - aquilo a que chamo, na linha da fenomenologia, a "paisagem mental". Acontece que o universo cézanneano rege-se pelo determinismo, pela geometria euclidiana. Pelo contrário, em Graham, Smithson e Matta-Clark o universo rege-se pelo indeterminismo (no way to, para Smithson), pelas geometrias não-euclidianas (que, aliás, potenciaram o cubismo). Daí o papel do espectador - o tempo interior do espectador (que a obra acentua) contrapõe-se ao tempo do cosmos, ao seu devir.

Lembremo-nos, entretanto, de Mondrian - e da passagem que opera da paisagem à abstracção. Lembremo-nos, depois, da minimal art (contida na pop, nas palavras de Robert Rosenblum em 1965 e de Suzi Gablik em 1969). Lembremo-nos, por fim, que o conceito de espectador está interligado com a pop - "Consumo, logo existo". Daí que pintores como Courbet (L'origine du monde) ou Manet (Olympia), precursores muito distantes da pop, tenham dado especial atenção ao papel do espectador. Não é, afinal, o caso de Graham, por exemplo?