Cézanne: o corpo da abstracção_1. A errância

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Banhistas enquadradas por duas árvores que traçam, quer as árvores quer as banhistas, uma diagonal à tela. Todavia, essa diagonal serve para realçar a linha que, dando coerência ao grupo, destaca duas banhistas: a do lado esquerdo e do lado direito. Depois, o verde escuro das árvores, os brancos sujo, os ocres, os rosas, os verdes, os castanhos dos corpos - e a cor dos cabelos, entre os castanhos e o ruivo. Depois, ainda, os brancos sujo das roupas - da mesma cor das nuvens. Por fim, no primeiro plano, um cesto de fruta (situando as três banhistas do lado esquerdo, em particular a mais à esquerda), um cão (situando as quatro banhistas do grupo central), uma melancia partida a meio (metáfora do sexo feminino?) (situando as banhistas do lado direito, em particular a encostada à árvore). Todavia, há aqui algo a destacar: as figuras do grupo central, seis figuras, erram entre o lado esquerdo e o centro (caso de duas figuras) e erram entre o lado direito e o centro (caso de quatro figuras). Dir-se-á: isto deve-se ao esforço de Cézanne para autonomizar as figuras. Talvez. Mas o que dizer das figuras que estão de pé (três figuras)? O que fazem? E o que dizer das figuras que estão sentadas (cinco figuras)? O que fazem? E o que dizer da figura (sentada?) tapada pela árvore do lado direito? O que faz? Que Baigneuses da Barnes Foundation trata de uma cena recorrente da história da pintura (renascimento, barroco), não há a mínima dúvida. Mas, qual o seu significado? Porque é que as figuras parecem oscilar - movimentar-se, mesmo - dentro da tela? Qual o significado dessa errância?
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