2.10.21

Apenas


Afagar uma rosa por entre 

sombras. Que é desenho 

de oração. Uma oração 

tardia. Orvalho, 

apenas.

*

Exíguo, um risco. Uma silva.

*

Outono. Inverno. Primavera. Verão. Ou: recolhimento, oclusão, a-vir, sulcos. Eis a matéria da página. Da casa. Com quem diz: - «Aqui um espelho - embaciando-se na cegueira». Na noite da noite.
 

*

Da casa, o lugar que o é 

também da mão - sobre.

*

Entrega-se. Dá-se. E a mão é-se,

aturdida. O que é entregar-se? E 

dar-se? Onde a carência? O afago?

*

Rosa e osso são palavras que chegam 

ao poema, sem que o poema 

de mais palavras precise, 

então. Porque tudo é rosa, dando-se 

até ser caule, apenas, um caminho 

definitivo em demasia.

*

Que mão te pode colher agora

que estás desprevenida

e o silêncio contorna as folhas

até às faíscas da poda? Que mão

te pode colher agora

até ao osso? O desenho original, 

esse, mantêm-se

pela adivinhação adentro.