12.6.26

Sob sobre a pintura de Hockney



 

A Bigger Splash (1967, Tate) de David Hockney, talvez mostre a influência que teve de uma tela, de 1904, de Matisse: Luxe, Calme, Volupté. Estamos, pois, aqui, no território do fauvisme, das feras. Mas, também, do realismo de Edward Hooper (USA, 1882-1967) - a solidão de grandes espaços urbanos. Entretanto, há, além de Matisse, um outro nome que fascina Hockney: Picasso. Ora, Les Demoiselles d'Avignon são de 1907, e com esta tela irrompe o cubismo. 

Metido na gaveta da pop, Hockney sempre o negou. Mas, as piscinas, habitadas ou não, cenário homossexual ou não, estão aí para prová-lo. Basta olhar para o que de subentendido há nesta imagem: alguém mergulhou. Quem? E a tela é céu, duas palmeiras, parede, portadas de vidro, pequeno banco, pequeno jardim, piscina com trampolim - tudo em pedaços, tudo fracturado ou minúsculo. E o azul, o do céu e o da água. Porque a cor é o sob sobre na pintura de Hockney.

Por outro lado, há um colega do curso que Hockney frequentou na Royal Academy: Patrick Caulfield. Em Caulfield, a pop, a colour field, a abstracção. Em Hockney, o quotidiano com os seus múltiplos modos - embora distante da pop made in USA. Eis, afinal, duas matrizes que abrem a segunda metade de 1900. Ainda que outras haja. E que decorreram na mesma altura.